PARTE I 

Tenho investigado a posição de cócoras e percebo que a investigação está se configurando num procedimento que explora o peso do corpo e o toque em algumas partes dele.

A cabeça, principalmente. Ela se mantém em contato direto e imediato com joelhos, braços e mãos. Sinto uma parte “puxando” as outras como um tipo de magnetismo sensorial. E, então, elas se acomodam, repousam umas nas outras para novamente serem tensionadas quando realizo outra ação física.

As formas que construo no meu corpo estão estranhas. Às vezes, parecem-me assustadoras e, por conta disso, acredito que possam assustar quem estiver a observá-las. O desenho do corpo, embora não possa ser visto por mim, transmite algo de “entranhamento”.

As pausas, o tempo dado a cada movimento, tudo isso tem também certa função de reconhecimento dessas imagens-formas na minha mente. É como se eu quisesse entrar em mim mesma. A coluna curva-se e quase abraça as pernas como uma concha.

                                                                                                                                                                                                           

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