28/05/2011

Tenho percebido que, agora, a figura de meu pai tem menos importância para a continuidade do processo criativo. É um elemento, dentre alguns, que antes, com peso, fizeram parte do primeiro momento da pesquisa e que hoje já não são vistos como essenciais na construção da obra. Acredito que eles cumpriram sua função, em primeira, instância para que eu chegasse até aqui. Não apenas a imagem do meu pai, como também a da senhora que encontrei pelas minhas andanças. Ambos fazem parte de um passado que não me apetece relembrar como foco de investigação. Sinto que no decorrer do processo o tempo foi primordial para que eu pudesse entender o que estava acontecendo.

É como se o processo revelasse uma tendência da obra que só se percebe com a maturação do caminho. Como Cecília Salles cita Bioy Casares em seu livro Gesto Inacabado que o processo de criação é o lento clarear da tendência que, por sua vagueza, está aberta a alterações. O final pode ser que nada tenha a ver com a “maquete inicial”, pois o plano não tem nada da experiência que se adquire na medida em que vai se escrevendo a história.

Vejo, então, que as coisas estão mudadas, em meio às escolhas que estou fazendo. As intenções que eu tinha quando estava a investigar e as que tenho agora, são um pouco diferentes. Há uma intensidade corporal maior no que me proponho a fazer, as sensações que me atravessam são meus indicadores.  Cada vez mais o viver o aqui e agora ganha mais força e fica claro para mim que é este o caminho que devo seguir.

 

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